quinta-feira, junho 14, 2007

fúria

Rebenta uma carga de água precedida do mais ruidoso trovão. Os vidros agitam-se tremendamente. Quebram-se. E os estilhaços vão cair um a um nas minhas pernas e costas. Herdo assim as chagas de Cristo na pele pelo meu perdão, capacidade de engolir a raiva e passar a vida a dar a outra face.
Com tanta fúria para destruir os mais fracos e fraqueza-força de musseque, os telhados de zinco voam pela cidade como pássaros negros de aço malditos, pesados destruidores sem compaixão.
A cidade alheia aos interesses do Príncipe assiste impávida à sua deteorização.
A fúria terá travões?

1 comentário:

gil-pedro disse...

boa tarde,
nesta cidade de trovões,e, já agora, sem travões, a fúria vem discreta, como a que precede os desabamentos - vem de baixo e em silêncio.
no sábado, li (de modo apressado)uma crónica sua num semanário. Mais atenção me despertou pelo facto de já me ter cruzado consigo em Luanda. E fiquei curioso pelas referências de "professora e editora", o que me fez chegar ao seu blog. Não identifico que jornal seja, e gostava de poder terminar a leitura. Será possível deixar-me a referência. Obrigado.