quinta-feira, setembro 21, 2006

Auto-fecundação (Admirável mundo velho #2)

«Se a natureza não aceitou a auto-fecundação (que corresponderia, contudo, a um processo excessivamente simples), é porque ela oferece inconvenientes graves, inadmissíveis do ponto de vista da selecção.
A auto-fecundação provocaria um forte grau de endogamia, ou seja, de parentesco entre todos os indivíduos. Assim, diminuiria fortemente o polimorfismo dos grupos e, portanto, a sua resistência às pressões externas, bem como as possibilidades de sobrevivência
.
A auto-fecundação só se encontra em casos excepcionais e “quando não há qualquer possibilidade de fazer de outra maneira”. É, por exemplo, o caso da solitária ou ténia, que vive no intestino do homem. Na medida em que se trata de um verme realmente solitário, este parasita, formado por uma longa tira cortada em anéis, não tem qualquer hipótese de se cruzar com outro verme. Para se reproduzir, só tem uma saída: auto-fecundar-se. (...) o verme dobra-se sobre si mesmo e põe em contacto os anéis masculinos da parte anterior da
fita” com os anéis femininos da parte posterior. Aí dá-se a auto-fecundação. Os últimos anéis, cheios de ovos, são eliminados pelo intestino que os alberga.»

Jacques Ruffié, O sexo e a morte, Dom Quixote, Lisboa, 1987, pp. 54-55.

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