terça-feira, maio 30, 2006

Falávamos de cidades, países, exílios, dissoluções de fronteiras.

Nesta cidade vejo as motivações humanas disfarçadas de mil coisas. Não o são, mas camuflam-se e convencem-se de que são importantes. As pessoas que me cercam parecem sinuosas a fugir de si próprias. Até que venha o momento de uma especial verdade, quando o homem que está ao fundo da nossa mesa, no meu campo particular de visão, olha distraidamente para o bolso da camisa e tem um arrepio que não irá partilhar com mais ninguém no mundo. Nem consigo próprio.
Diz-me, a cidade não é assim uma toca tão difícil, mas também não podes ficar imune, é preciso desdramatizar os seus sigilos, desbravar caminhos e ver as possibilidades onde tantos vêem descrença. O que te interessa a lamentação da falta de espírito e da resignação? Cabe-te a ti incendiar quem te comprime.

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