segunda-feira, abril 10, 2006

Sem remissão

- Eu queria ser uma árvore.

- Desculpa?

- Não é bem querer ser, é ser de facto. Eu sou uma árvore.

- De que género?

- Daquelas encarquilhadas que se erguem todos os dias sem razão aparente e que ninguém vê senão ao fim da tarde quando a luz deixa de ter descanso numa rua deserta a arder.

- Nesse caso o que dizes todos os dias à beira da morte, na iminência das chamas?

- Agarra-me senão eu caio.

- E se te agarrar?

- Ardo na mesma.

1 comentário:

Karin disse...

há dias assim...