segunda-feira, junho 09, 2008

Lisboa à tarde num sábado de Inverno. Algumas mulheres velhas à janela no cimo dos prédios. Cor branca, frio, ruas desertas, obras paradas. Um homem sai sozinho do Mac Donalds onde comeu sozinho, e traz um saco de plástico. Os almoços de família prolongados até às cinco da tarde, as mesmas conversas de sempre, os mesmos conflitos de sempre, os casais novos já desgastados a ver o filme em que meteram a sua própria vida. Lisboa à tarde de sábado. Um sábado de Inverno. Os cafés molengões, a televisão nos cafés com filmes de sábado à tarde. Autocarros quase vazios. A visão do rio prolongadamente de chumbo. Os suplementos culturais, o que ver, o que dizem, as estrelas dos filmes. O estômago a dar sinais, o enjoo dos cigarros, intoxicação de cigarros da noite anterior. A memória do teu sorriso louco de fim da noite. E prometemos que nunca mais íamos sair, depois do carro que nos levou a casa como se fosse a carrinha da escola a depositar as crianças. Repetimo-nos em círculo nas memórias da noite.
(2003)

4 comentários:

dastripascoração disse...

menina marta, sempre militante.

-d.c.- disse...

gostei disso. tentarei relatar são paulo a tarde... ai fica a troca...
gostei do seu blog.
abraço,

d.

Dalaiama disse...

Já há muito tempo (desde que o descobri) que admiro este blog. É soberbamente bem escrito, sem frivolidades, fala de coisas simples num tom despretensiosamente complexo. É imaginativo. Produzem-se aqui belas imagens!
Tomei a liberdade de citar um dos teus posts. Podes conferir em
http://dalaiama.blogspot.com/2008/09/se-te-do-emprego-sem-direitos-no-lhes.html
Felicidades para ti! E que continues com a escrita.
;-)

Márcio Almeida Júnior disse...

Parabéns, Marta.
Um blog criativo e sensível. Virei sempre aqui.