quarta-feira, março 29, 2006

uma toalha pousada sobre uma cadeira


ele: um dia, no meu quarto, estava a olhar para uma toalha deixada sobre uma cadeira, então eu tive verdadeiramente a impressão de que, não só cada objecto estava sozinho, mas que cada objecto tinha um peso - ou antes, uma ausência de peso - que o impedia de pesar sobre o outro. a toalha estava sozinha, tão sozinha que eu tinha a impressão de poder retirar a cadeira sem que a toalha mudasse de lugar. ela tinha o seu próprio lugar, o seu próprio peso e até o seu próprio silêncio. o mundo era leve, leve...

alberto giacometti, l'atelier d'alberto giacometti de jean genet

3 comentários:

mathilde disse...

Tenho por vezes a ideia de saltar. Não saltitar, atenção, mas saltar. E tenho a certeza que quando saltar, salto mesmo. Haverá primeiro uma suspensão na queda, uma espécie de levitação instantânea e depois ficarei pousada sem peso nenhum no pico de um vidro transparente partido e poderei rir, sem ralações, nessa leveza perigosa que é viver, nesse lugar pequeno que é o meu. Será um espaço com notas despreocupadas, sem feridas.

pedro disse...

não. dê-se gravidade à gravidade. aprender a cair mas é. com um pacote de batatas fritas ma mão.

mathilde disse...

aprender a cair é cair leve e na leveza a gravidade que tem que ser. os dedos besuntados de gordura.