quarta-feira, abril 06, 2011

verão em Lisboa

Ainda falta para o Verão, mas a minha memória do Verão em Lisboa é muito viva e posso imaginar uma improvável chuva em Agosto, num mês de línguas várias mas silhuetas demasiado semelhantes na rua.
Que cidade é esta afinal para uma turista antiga?
A Lisboa da linha da frente com desbunda até de manhã e a Lisboa cabisbaixa assim que o sol se vai e reaparecem as pessoas encolhidas e executivas.
Lisboa do compromisso, das vidas acordadas, sensatas, carreiristas, das opiniões fundamentadas, lidas, lúcidas, alternativas, da capacidade de ironizar, do cinismo que arrepia o dente da inteligência. Fazer disso bandeira.
Lisboa cada vez mais africanizada com lugares crioulos e ligações ao triângulo Cabo Verde, Angola, Brasil. Pessoas que atravessem o triângulo e passam a pertencer a uma abstracta família ligada pelo código de sabermos o que o outro está a falar.
Lisboa cheia de estudantes europeus, que no inverno usaram botas, casacos coloridos, gorros, espalharam outras línguas, e agora percebem a alegria maior da cidade. Algumas raparigas altas e de olhos claros, que àquela hora em que o metro já não vai cheio, depois do jantar nas cantinas, regressam a casa para continuar a festa.
O calor vai estar a estalar e as pessoas finalmente alegres saem das tocas do inverno, ousam usar topes e saias leves, até o extra de uma sandália, e petiscam caracóis com imperiais na rua das portas de santo antão. Os turistas, freaks e outros latinos, velhos amigos encontram-se para convívio mais arrastado. O melhor da escala de cidade pequena: tudo ao nosso alcance apesar de nos escapar sempre quase tudo.

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