quarta-feira, março 09, 2011

a jornalista hesita

A jornalista queria dar dignidade às pessoas nos seus textos, repetia muito que todas as pessoas eram interessantes pois tinham para contar as suas estórias, só era preciso descobrir o ângulo certo que é o de cada um, para dar a ver o mais possível de si.

Ela tem um modo suave mas exigente, e é perspicaz a perceber e formular os seus pensamentos. São estas pessoas atentas e dadas que ajudam os outros a chegarem aos seus próprios interesses, a dizer o que realmente querem dizer, sem caírem tanto na impostura de si próprios. É raro. A jornalista tem um corpo delicado, pele muito branca, cabelo liso, um sorriso largo e olhar sincero. A sua franqueza contribui para a justa medida dos sentimentos, sem manipular o que vê e ouve, para depois contar à sua maneira.

Nisso, nem sempre consegue. A jornalista às vezes hesita e fica sem saber o que fazer com aquelas informações e particularismos tão importantes para quem conta, e tão fait-diver para quem lê, quando a narração directa e vibrante não se molda a outro relato que não aquele. Nessas alturas, em que não consegue fazer o trabalho de mediação com vista a melhorar a pessoa, pragueja contra uma tão limitada profissão.

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