domingo, outubro 10, 2010

ele avisou

Há qualquer coisa de perverso no acto de escrever sobre outra cultura ou outro tempo. Cuidado com as histórias no passado ou de um país que não é o teu. Podes fazer erros, caracterizar erroneamente os contextos e transformar as personagens em actores de uma sátira desastrosa, falando com vozes tontas, imitando pateticamente a oralidade local, ajuizando coisas que não sabes, metendo o bedelho em histórias complicadas, provocar muitas inimizades.
Não deves falar em nome de ninguém, isso de ser a voz do outro é conversa de políticos. Se não viste com os teus próprios olhos, não és o testemunho directo, podes ser pelo menos aquela que não se vai embora, que ouve a narração do outro e recebe as suas palavras para lhes dar dignidade.
Concentra-te naquilo que vives, vive plenamente o que te é oferecido, o teu próprio tempo, onde se desenrola o drama humano. Que se vai repetindo e extravasando.

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