Terça-feira, Setembro 08, 2009

a vida que nos palpita


querias....

Aula de dança acompanhada de marimbas e jambés. O pessoal salta dez vezes seguidas no mesmo lugar, saltos verdadeiramente altos com uma elasticidade brutal. Nós desistimos ainda mal tinha acabado o aquecimento e já deu para ficarmos todas partidinhas. Logo a seguir corremos a beber cerveja e a comer uma feijoada. 

dãããaãã!!!!

O actor moçambicano mostra como se deve virar o pão para baixo para não ofender as dicas e tradições dos mais velhos. Pergunto porquê e ele faz um ar perplexo. As tradições não se questionam.

Domingo, Setembro 06, 2009

equilíbrio


fotografia de Otávio Raposo

diz o Mia Couto

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. 

tudo coisas simples

Na baixa de Maputo entregam-me este cartão: Professor Sheik Youssouf cura diabete, hipertensão, cancro, impotência sexual, pneumonia, anemia e problemas espirituais.  Dá aulas de árabe, swahili e xadrez.

é então para isso que serve?

- Ali na aldeia não têm ídolos porque não chega a televisão.

Flaming men

Ele nem sabia o que era xenofobia mas toda a gente lhe disse que fora vítima disso.

Sábado, Setembro 05, 2009

ops!

No avião observo um casal de aposentados muito sereno. A estranha dedicação com que a mulher barra as tostas com queijo président e põe na boca do marido, depois corta o bife e volta a pôr-lhe os bocadinhos na boca e tudo o resto até à sobremesa. Já ia começar a pensar no desequilíbrio de favores e na propensão maternal que as esposas têm, quando reparo, ao se levantar, que o homem não tem braços.  


Quarta-feira, Setembro 02, 2009

fazer cinema

O realizador guineense a passar numa avenida em Maputo queixa-se:
Como podíamos iluminar esta rua? Só o dinheiro que os americanos gastam em ensaios e mariquices e nós aqui para contar as nossas estórias não há nada, temos de improvisar. A minha mãe tinha razão: nunca me devia ter metido nisto. Ela dizia devia era ser doutor e eu convencia-me de que fazer cinema era também ser doutor das almas.

leve

Há um distanciamento necessário para podermos viver em novos mundos sem nos perdermos. E sentir o centro-a-casa que pode ser o amor, onde quer que esteja.
Mas percebo que a curiosidade, esta fuga em frente, traga consequências e há quem se desoriente com os dados do jogo. Eu gostava de ser apenas uma folhinha na brisa, não pesar para ninguem, um insecto a sobreviver apenas com a violência necessária, não ter de ponderar pelos desejos e necessidades dos outros.