terça-feira, maio 06, 2008

autoridade

A rapariga tem que fazer, organizar, ser pragmática. A actividade de transformação da natureza, que põe os homens em relação e é produtora de valor, está inscrita na sua vida, por isso, procura os gestos certos para transformar a natureza, os telefonemas com voz decidida, tudo a encaixar, os dias a socorrerem-se uns aos outros, os papéis sociais cumpridos para produzir valor. Os afazeres entretanto muitos, como um Heraclito sem tempo para reflectir sobre o devir na margem do rio, a vida mudou e já não há descontracção nos seus passos. Não se liberta de um problema mal resolvido de autoridade projectando-a de mil maneiras, da família para o trabalho, em casa, em alguns amigos, no amor. Contra isso, a mania da conciliação - estranha defesa - como uma criança que fez algum disparate grave e quer fugir às consequências, ou que provoca até ao excesso, com a acutilante consciência do que está a fazer, mas depois retira-se para não levar com os cacos da tempestade. A todas as autoridades é rebelde mas de má consciência, mais valia que o fosse assumidamente, sem problemas, simplesmente cumprisse os seus desígnios interiores.

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